Ser Sintra Family Center tem tanto de certezas como de incertezas.

Ser um centro para a família é ter a certeza de que todo o trabalho é feito para as famílias, a pensar nas suas necessidades e na forma de as satisfazer. E é ter a certeza de que todas as famílias são diferentes.
Ser centro para a família é também ter a incerteza de quais serão as necessidades de cada família ao longo do tempo e a incerteza das alterações que, no futuro, teremos de fazer na nossa própria estrutura para ir respondendo a essas necessidades.
Na verdade, são estas certezas e incertezas que fazem com que este projeto seja uma aventura. Uma aventura boa com surpresas ainda melhores.
Acompanhar crianças que estão em ensino doméstico (homeschooling) foi uma dessas surpresas.
Começou com um simples pedido: “Podem ficar com ele esta semana, enquanto procuramos uma nova escola?” e a partir daí tudo aconteceu, naturalmente. Dissemos que sim. De uma semana passou para duas; e de duas para três; e de três para um mês; e de um mês até hoje…
Fomos sentindo: de um lado e de outro. Nós, 8Oitenta, fizemos os nossos ajustes e eles repensaram a sua logística familiar. Fez sentido para todos e fomos avançando. Avançamos!
Estavamos a meio de outubro quando acolhemos este menino: muito curioso, com vontade de compreender os porquês, de experimentar palavras e conversar com muita eloquência. Está inscrito do sétimo ano, mas por cá tem estado a trabalhar em projetos do seu interesse.
Primeiro um vídeo: do guião, à produção, passando pela gravação, foi responsável por todas as etapas.
Agora, um projeto de uma casa que quer construir no seu jardim.
Já aprendeu a desenhar alçados e cortes, já aprendeu muitas coisas sobre materiais, já fez medições, já trabalhou com escalas, já enviou e-mails para pedir informações sobre orçamentos, já conversou com duas arquitetas, já fez muitas perguntas… E enquanto isso, trabalhou a organização de ideias, fez um plano de trabalho geral e vários planos específicos, planos semanais, avaliou o que já fez e tomou consciência do que falta fazer, fez pesquisas, fez análises e comparações de elementos segundo vários critérios, reconheceu a necessidade de fazer pesquisas e estudos para adquirir alguns conhecimentos e usá-los como pré-requisitos para atingir os seus objetivos de curto e longo prazo.
E enquanto fez isso tudo…sonhou.
E sonha. E também toca flauta, e faz caminhadas na praia, e vai à rua e faz desenho à vista e vai à mercearia para fazer compras e conhecer e falar com outras pessoas.

Há pouco tempo, chegou uma outra aluna. Vem duas vezes por semana porque nos outros dias tem outras atividades, que a ajudam a desenvolver cada uma das suas múltiplas inteligências.
Tem tantas ideias. Expressa-se pela arte e na sua marca reconhece-se o belo.
Faz relações únicas. Inventa e cria de uma forma especial e tão singular.
Sabe ler o mundo. Sabe ler as pessoas. Sabe ler as cores e as imagens.
Está agora a descobrir como se lêem as letras. As letras que ela desenha e que usa para escrever os textos dos livros de que ela própria é autora.
Está também a descobrir como se lêem os números e por que são precisos para fazer contagens nos jogos e nas compras que faz.

Na verdade, estes dois meninos não vêm aprender no 8Oitenta, vêm só descobrir formas de representar e comunicar as suas ideias com os outros.

E não imaginam como é emocionante vê-los fazer essas descobertas e vê-los expressar o que têm em si…

Maria Tomaz
Dezembro 2016

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