As férias de verão no 8Oitenta são uma narrativa de relação e autonomia. Juntam-se crianças de várias idades, forma-se um grupo heterogéneo e singular, mutável em número e na forma, mas constante na essência. Porque é nas férias de verão que se dão oportunidades para que as crianças possam sentir liberdade com responsabilidade. Criam-se cumplicidades e constroem-se relações tão fortes que nos tornamos um grupo.

A Oficina de Férias de Verão é um festival com três palcos principais: a praia, a piscina e o pinhal. E olhando para a programação – comparando com outras ofertas cheias de atividades e títulos e horários – talvez pareça que vamos fazer pouco. Parecem só férias e só “não fazer nada”, sem a orientação constante dos adultos, mas há muita intenção pedagógica nisto tudo.

É um tempo em que cada um toma conta de si e dos outros. Vivemos assim como “à antiga” na rua, entre primos. Não são primos, mas é como se fossem. Não sobem aos telhados, mas sobem às árvores. Não invadem as casas para dar mergulhos nas piscinas, mas tocam as campainhas e fogem (e nós fingimos não ver).

É um tempo em que nós mostramos que confiamos neles e por isso eles também passam a confiar neles próprios. E quando as crianças sentem que confiamos nas suas capacidades, sem o constante “faz isto”, “faz aquilo” de um adulto, sentem a necessidade de tomar consciência de onde estão, do que estão a fazer. Ganham em presença e em autonomia. Estão mais atentas e passam o tempo a fazer exercícios de observação, de si, dos outros e do ambiente. Com a liberdade, vem a responsabilidade – se sou eu que decido, a responsabilidade da consequência é minha.

As férias são o momento ideal para aproveitar o que Colares tem de melhor – a praia, a piscina e o pinhal. E a melhor altura para conhecer a nossa terra, vivê-la, sentir que somos dela e que ela e nossa. E, com isso, aprender tanta coisa, especialmente a observar.

Andamos a pé por Colares. Não há filas, nem andamos a pares. Fazemos o Jogo dos Números (se querem saber como é, perguntem a quem já participou nas Oficinas). Andamos como pessoas que somos, com atenção ao que nos rodeia – ao bonito e ao risco.

Vamos à Praia Grande e não nos vestimos todos de igual. Vamos como somos. Estas idas à praia são para descontrair e aumentar a vitamina D no corpo, para correr e ser feliz!

Há jogos na areia e também há mergulhos no mar e aulas de bodyboard que servem para divertir, claro, mas também – e principalmente – para aprender a estar no mar. Para conhecê-lo e respeitá-lo, como merece. Num país com tantos quilómetros de costa, é fundamental que todos saibamos estar no mar em segurança, sem medo mas com muito respeito e atenção.

E o verão serve para brincar. Brincar, só! Uma coisa que vem de dentro, com regras próprias e expressões de sentimentos, felicidades e angústias. Há bombas na piscina, competições de natação, aulas de dança e karaokes com colunas portáteis, saltos à corda, jogo do limbo, do Uno… sem data nem hora. Os lanches e snacks respeitam a hora da fome. Sem gulas, mas com liberdade de escolha.

No fundo, no verão podemos ser aquilo que somos na essência (de cada um de nós e do 8Oitenta). O que somos no ano inteiro mas sem trabalhos de casa e sem testes, com mais tempo e mais calor e sol e… vá!, alguma neblina! Nada que assuste um grupo de orgulhosos sintrenses, verdade?

Maria Tomaz e Mónica Chantre
Maio (a contar os dias para Junho e Julho!) 2018

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